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Preço · Guia prático

Como calcular o preço de venda (sem prejuízo e sem fórmula difícil)

Leitura de 6 min · Atualizado em novembro de 2026

Você faz a conta do material, soma um tanto em cima e acha que está lucrando. As vendas acontecem, o dinheiro entra, e no fim do mês não sobra quase nada. Isso acontece com muita gente que está começando, e quase sempre o problema não é vender pouco. É o preço que não paga tudo o que precisa pagar.

Este guia mostra a conta inteira, em português e com exemplo em reais. Se preferir só o resultado, a calculadora de preço de venda faz a conta por você.

O erro mais comum: somar uma porcentagem em cima do custo

"Custa R$ 10, vou somar 30% e vender por R$ 13." Essa conta tem dois problemas.

O primeiro: os R$ 3 não são 30% do preço. Eles são 23% de R$ 13. Para ficar com 30% do que você vende, o preço precisa ser R$ 14,29 (10 dividido por 0,70). Somar em cima do custo se chama markup. Quanto fica com você do preço final se chama margem. Não são a mesma coisa.

O segundo é pior: esses R$ 3 ainda precisam pagar todo o resto. O aluguel, a internet, a taxa da maquininha e o seu trabalho. Se não pagarem, você está trocando dinheiro.

O que todo preço precisa pagar

  • Material: o que é gasto em cada venda. Ingredientes, embalagem, o produto que você revende, as peças
  • Contas fixas: o que vem todo mês, vendendo ou não. Aluguel, internet, gás, celular, DAS. Cada venda paga um pedacinho
  • O seu trabalho: o salário que você quer levar para casa. É o item que mais fica de fora, e o motivo de tanta gente trabalhar muito e não ganhar
  • O que sai do preço: taxa da maquininha, comissão do app e uma reserva para quando algo quebra ou um cliente não paga

A conta, passo a passo

Vamos usar uma marmita como exemplo. Troque pelos seus números. Também há guias próprios para marmita e para doces e bolos.

1. Some o material de uma venda. Comida e embalagem de uma marmita: R$ 9,00.

2. Divida as contas fixas pelas vendas do mês. São R$ 800,00 de contas e 300 marmitas: R$ 2,67 por marmita.

3. Divida o que quer ganhar pelas vendas do mês. A meta é R$ 2.500,00: R$ 8,33 por marmita.

4. Some tudo. R$ 9,00 + R$ 2,67 + R$ 8,33 = R$ 20,00 de custos por marmita.

5. Divida pelo que sobra depois das porcentagens. A maquininha leva 3% e a reserva é de 10%, então 13% saem do preço e os custos são os outros 87%. O preço é 20 dividido por 0,87: R$ 22,99.

Por que dividir em vez de somar 13%? Porque a taxa é cobrada sobre o preço final, não sobre o custo. Somando, você chegaria a R$ 22,60 e a conta não fecharia. Confira: em R$ 22,99, a taxa leva R$ 0,69 e a reserva fica com R$ 2,30. Somados aos R$ 20,00, dá o preço certinho.

Quanto eu estou ganhando hoje?

Essa conta costuma assustar, e por isso vale fazer. Suponha que a marmita do exemplo seja vendida por R$ 15,00. Depois da taxa, entram R$ 14,55. Tirando o material, ficam R$ 5,55 por marmita, ou R$ 1.665,00 em 300 marmitas. Tirando as contas, sobram R$ 865,00 no mês, bem longe dos R$ 2.500,00.

Parecia que cada marmita dava R$ 6,00 de lucro. Mas as contas fixas ainda não tinham sido pagas.

O preço mínimo

É o valor que paga só o material, as contas e a taxa. No exemplo, R$ 12,03. Abaixo dele, cada venda dá prejuízo. Nele, as contas fecham e o seu trabalho sai de graça.

Saber esse número ajuda na hora de negociar uma encomenda grande ou de fazer uma promoção. Mas ele é limite, não preço do dia a dia.

Se você presta serviço

A lógica é a mesma, trocando vendas por horas. Se você quer ganhar R$ 3.000,00 e tem R$ 300,00 de contas fixas, precisa de R$ 3.300,00 no mês. Agora o cuidado: conte só as horas que dá para cobrar. Deslocamento, orçamento, compras e mensagens também tomam tempo.

Com 80 horas cobráveis no mês, a hora precisa valer R$ 41,25, antes de taxas e do material de cada serviço. Quem faz essa conta com 160 horas acha que a hora vale a metade, e descobre o problema no fim do mês.

E se o preço ficar acima do concorrente?

A conta diz quanto você precisa cobrar, não quanto o cliente aceita pagar. Se o resultado ficar bem acima do que se pratica perto de você, antes de baixar o preço, olhe para o que pode mudar:

  • Material: comprar em maior quantidade, trocar a embalagem, reduzir o desperdício
  • Quantidade: vender mais dilui as contas fixas em mais vendas
  • O que você entrega: entrega, prazo e qualidade podem justificar um preço maior. Nem todo cliente compra pelo menor valor
  • A meta: se nada disso resolve, talvez a conta esteja mostrando que o negócio precisa mudar de produto ou de público

Só evite copiar o preço do concorrente sem fazer a conta. Você não sabe se ele está ganhando dinheiro.

E os impostos?

Se você é MEI, o DAS tem valor fixo: entra nas contas fixas. Se paga imposto como porcentagem da venda, some essa porcentagem junto com a taxa da maquininha. Como cada caso é um caso, vale confirmar com um contador.

Quando rever o preço

  • Quando o material ficar mais caro. Se o fornecedor subiu, a sua conta mudou
  • Quando uma conta fixa nova aparecer, como um aluguel ou um equipamento parcelado
  • Quando você passar a vender bem mais ou bem menos do que planejou
  • Quando chegar o fim do mês e não sobrar o que a conta prometeu

Como saber se o preço está funcionando

O preço certo na calculadora ainda precisa se provar no mês. Para isso, você precisa saber quanto entrou, quanto saiu e quanto sobrou, sem misturar com o dinheiro de casa. Quem vende fiado também precisa contar o que ainda não recebeu: venda que ninguém pagou não paga conta. O guia como controlar fiado sem caderninho ajuda nessa parte.

É isso que o Meu negócio do valoriz faz: você anota as vendas e os gastos, e ele mostra o que sobrou no mês, com ou sem CNPJ. Dúvidas sobre como usar estão na ajuda do Meu negócio.

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